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REJ - UFJ em Implantação

Atualizado em 12/09/19 15:54.

A História 

Em 1979, no mandato do reitor José Cruciano de Araújo (1978-1981), foi criada a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Goiás (UFG), com a função de coordenar as atividades de serviços de extensão, tendo a professora Maria do Rosário Cassimiro como Pró-Reitora.

Nessa época, prevalecia na universidade uma política de interiorização que, seguindo a orientação do Ministério da Educação e do Ministério do Interior, por meio de ações ligadas ao projeto Rondon e ao Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária (Crutac), buscava levar o aluno universitário e o funcionário público a conhecer, in loco, a realidade do interior do Brasil.

Polêmica e policrômica, a experiência de interiorização despertou, ao longo de sua existência, reações variadas e extremadas na comunidade acadêmica em Goiânia. Alguns encontraram um novo alento para continuarem na vida universitária; outros aceitaram-na com indiferença. Teve quem ignorou e os que simplesmente a recusaram, enxergando aí mais um ato autoritário da gestão universitária.

Ao mesmo tempo, em Jataí, a sociedade começava a cobrar do então prefeito, Mauro Antônio Bento, providências no sentido de trazer para a cidade cursos superiores que atendessem à demanda interna do município, sob o discurso do progresso e do desenvolvimento do município.

Em julho de 1979, a Comissão Pró-Curso Superior do Lions Clube de Jataí elaborou um ofício acompanhado de um abaixo-assinado para ser entregue ao reitor da UFG, professor Cruciano, no qual solicitava a instalação de cursos superiores na cidade. Esse documento foi entregue pessoalmente por uma comissão constituída por pessoas da comunidade jataiense.

Apesar de toda a oposição de distintos setores da comunidade universitária em Goiânia, havia uma política de interiorização do ensino superior, inclusive com recursos destinados para esse fim, e também uma demanda da sociedade em Jataí. Sendo assim, o município foi contemplado com um câmpus avançado. Contudo, sob a condição de que o município disponibilizasse a área e o prédio para a instalação da unidade. Em contrapartida, a UFG enviaria os servidores técnico-administrativos e docentes para o funcionamento dos cursos na cidade.

A interiorização da UFG ocorreu por meio da criação de quatro câmpus avançados no interior do Estado, em Porto Nacional e Firminópolis (1975), Jataí (1980) e em Catalão (1983).

Uma das principais aliadas ao projeto de interiorização da UFG foi a professora Maria do Rosário Cassimiro, Pró-Reitora de Extensão naquele momento. Cassimiro demonstra em seus discursos que via a extensão como uma oportunidade de aprender com a realidade do interior, estabelecendo trocas de experiências, instituindo uma aproximação entre a universidade e a sociedade. Sempre defendeu a concepção de interiorização pública com a participação da comunidade.

Em 10 de março de 1980, foi assinada a Resolução 145/1980, criando o Câmpus Avançado de Jataí (CAJ). O objetivo inicial era a criação de apenas um espaço de estágio e extensão das atividades da universidade, um lugar para a promoção de condições para o desenvolvimento regional, com o objetivo de efetivar a interiorização de cursos de formação de professores.

Obras do Câmpus Riachuelo nos anos 1980
Obras do Câmpus Riachuelo nos anos 1980

 

O câmpus avançado da UFG, ofertando um ensino superior público e gratuito, foi uma vitória não somente da comunidade local, mas de todo o Sudoeste Goiano. O prédio que abrigaria a instituição foi inaugurado oficialmente no dia 19 de dezembro de 1980 com uma vasta repercussão em toda a região. Foi implantado, em caráter experimental, o primeiro curso: Licenciatura Plena em Ciências, com habilitação em Matemática, Química e Física, iniciando as atividades acadêmicas em março de 1981.

[...]

Em 1985, foi implantado o curso de Pedagogia, com professores concursados e lotados para trabalharem no Câmpus, por meio de contrato firmado com o município através da Fundação Educacional de Jataí (FEJ). Foram criados os cursos de Letras, em 1990, Geografia e Educação Física, em 1994, Matemática e Ciências Biológicas, em 1996, Agronomia e Veterinária, em 1997 e Letras/Inglês, em 1999.

Ao longo de dez anos, o modelo de interiorização do CAJ, iniciado na década de 1980, encontrava-se esgotado. Com o crescimento do Câmpus, a FEJ não conseguia mais cumprir com os contratos firmados junto à universidade, o que acabou afetando o funcionamento da instituição.

Na década de 1990, diante das inúmeras dificuldades enfrentadas cotidianamente, principalmente aquelas relacionadas ao orçamento da universidade, foi articulado pelos professores e pela direção do Câmpus, com o apoio do governo do Estado de Goiás, da prefeitura municipal de Jataí e da FEJ, um movimento junto ao Ministério da Educação em prol da federalização do CAJ. Essa movimentação encontrava eco na administração central da Universidade e foi encampada por diferentes atores e segmentos da sociedade.

Em julho de 1995, foi entregue ao Ministério da Educação, segundo Reis (2014, p. 228) “o documento intitulado Proposta Político-Pedagógica de Federalização do Câmpus Avançado da Universidade Federal de Goiás em Jataí (GO)”, que apresentava os espaços físicos da instituição, as atividades desenvolvidas pelos seus profissionais, a relevância histórica, geográfica e socioeconômica do município. Apesar da não aprovação desse projeto, o Câmpus continuou a expandir-se.

Com a Resolução Consuni 20/2005, em 11 de novembro de 2005, o Câmpus Avançado de Jataí passou a ser designado Câmpus Jataí, permanecendo a mesma sigla - CAJ. Pode parecer uma mera alteração de nome, contudo, tratava-se da complexificação das atividades do Câmpus.  A partir desse momento, o CAJ passou a ter estrutura administrativa própria, “constituída por uma equipe em Jataí para ajudar a pensar e propor ações para a melhoria da instituição e do ensino-aprendizagem” (REIS, 2014, p. 243).

Com a adesão ao Plano de Expansão, criaram-se seis novos cursos de graduação, que tiveram início em 2007: Zootecnia, Química (licenciatura), Biomedicina, Física (licenciatura), História (licenciatura) e Psicologia e o Mestrado em Agronomia.

Com o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), criaram-se cinco novos cursos de graduação: Direito, Engenharia Florestal, Educação Física (licenciatura), Fisioterapia e Química (bacharelado). E, em 2013, através do Programa de Expansão do Ensino Médico, foi criado o curso de Medicina.

 

Construção da Cidade Universitária
Construção da Cidade Universitária no ano de 2011

 

Com a aprovação do novo estatuto da Universidade, em janeiro de 2014, o Câmpus Jataí passou a ser denominado Regional Jataí (REJ).

Ao longo de toda a sua existência, o Câmpus Avançado de Jataí expandiu-se, ampliando a oferta de cursos. [...] conta com 25 cursos de graduação regularmente oferecidos nas áreas de Ciências Agrárias, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Exatas, Ciências Humanas e Linguísticas, Letras e Artes. Além dos cursos de graduação, disponibiliza cursos de pós-graduação lato sensu (especializações) e stricto sensu (mestrado e doutorado), sendo cinco cursos de mestrado - Agronomia (produção vegetal), Geografia, Ciências Aplicadas à Saúde, Mestrado Profissional de Matemática (Profmat) e em Educação - e um doutorado em Geografia.

[...] 

Fonte: História, memória e afetos: 40 anos de Universidade Federal em Jataí, 2018. 

 

Hoje e amanhã 

Em outubro de 2015, após várias tratativas, o terreno onde se localiza o Câmpus Jatobá foi transferido oficialmente pelo Governo do Estado de Goiás para a UFG. Na ocasião, membros da gestão da Regional encaminharam solicitação ao Governador do Estado para que interviesse junto ao governo federal em busca da autonomia da universidade em Jataí, o que só seria possível através de um desmembramento da UFG.

A partir disso chegamos ao encaminhamento do projeto de lei de criação da Universidade Federal de Jataí, em 09 de maio de 2016, por parte do executivo. O projeto tramitou pela Câmara Federal e foi aprovado em 19 de dezembro de 2017 e logo depois pelo Senado, onde foi aprovado em 21 de fevereiro de 2018.

Após aprovação no Senado Federal o projeto foi enviado para sanção presidencial, tendo sido recebido pela Secretaria de Governo em 28 de fevereiro, e sancionado no dia 20 de março de 2018 e publicado em 21 de março de 2018.

O PLC 7/2018 que cria a Universidade Federal de Jataí (UFJ), com sede e foro no município de mesmo nome prevê a transferência de cursos, alunos e cargos será automática. O campus da UFJ será constituído das atuais unidades acadêmicas de Riachuelo e Jatobá (Cidade Universitária José Cruciano de Araújo).

Pórtico UFJ
Amanhecer do dia 21 de março de 2018 - nascimento da UFJ

 

Além do aproveitamento da estrutura existente da UFG, o texto prevê a criação de 67 cargos efetivos do plano de carreira dos cargos técnico-administrativos em educação e 40 cargos de direção.

Após a etapa de sanção da Presidência da República, o MEC indicará uma universidade tutora e um reitor pró tempore para a nova universidade, que terá o prazo de 180 dias para criar um estatuto e regimento que a organize.